Centenário sob o olhar dos filhos e bênçãos do padroeiro

Colaborou: Isadora Bortolotto

Centenário sob o olhar dos  filhos e bênçãos do padroeiro

Foto: Enderson Hoch

Do alto, São Pedro protege a cidade que, neste domingo, completa um século de existência

Cézar Muller, 78 anos, costuma dizer que não tem nome, só sobrenome. É que, na certidão, ficaram apenas os dois: Cézar, da mãe, e Muller, do pai. Mas o que parece falta, na verdade é excesso de muita história. O mecânico aposentado carrega na memória parte da trajetória do centenário São Pedro do Sul. Neto de Antônio Luiz Muller, um dos responsáveis pelo movimento de emancipação do município, Cézar cresceu ouvindo histórias que hoje ajudam a contar os primeiros capítulos da cidade.
As lembranças atravessam décadas e caminhos que, no passado, eram feitos a cavalo, de carroça ou, no caso do avô, de trem. Era assim que Antônio Luiz Muller ia até Porto Alegre, ainda na década de 1920, levando e trazendo documentos que ajudariam a tirar São Pedro do Sul do papel. 

– Ele era o contato com o governo do Estado. Foi quem movimentou essa parte da emancipação – recorda Cézar.  

O processo levou tempo, como tudo naquela época. As distâncias eram grandes, os recursos escassos e, a comunicação, lenta. Mas a articulação avançou, até que o município começasse a ganhar forma. Anos depois, o próprio avô seria eleito o primeiro intendente da cidade, o prefeito nos dias de hoje. Histórias como essa seguem vivas na memória de quem ficou. E, mesmo depois de uma vida inteira como mecânico, Cézar ainda se mantém ativo, “pegando um serviço ou outro”, mas principalmente preservando aquilo que não se mede em horas de trabalho: a identidade de um lugar.


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Características

É essa soma de histórias individuais que constrói o que hoje São Pedro do Sul celebra: um século de emancipação político-administrativa. O município chega aos 100 anos com uma identidade ligada à terra, à cultura e ao espírito comunitário. A data inicial, em 22 de março de 1926, simboliza a trajetória de um povo que transformou o território em pertencimento.
Ao longo das décadas, o desenvolvimento se consolidou a partir da agricultura, da pecuária e do comércio, que até hoje sustentam a economia local.

– Celebrar os 100 anos de São Pedro do Sul é reconhecer a força de um povo trabalhador, que construiu com dedicação e orgulho a história do nosso município. Seguimos olhando para o futuro, com desenvolvimento, inovação e respeito as nossas raízes – destaca o prefeito Fernando Pilar Cézar. 

Para a geógrafa e diretora do Museu Paleontológico e Arqueológico Walter Ilha, Francis Schirrmann, a paisagem é um dos elementos centrais na formação do povo são-pedrense. 

– A paisagem natural não é só um cenário, ela é um elemento formador da identidade local. As relações, o modo de vida, tudo se estabelece nesse território – diz. 

Campos abertos, coxilhas suaves e a presença de rios ajudam a moldar um cotidiano ligado ao trabalho rural e à convivência comunitária. Segundo Francis, a cultura local é, em essência, uma extensão desse ambiente: 

– Se a gente olhar para a história, vai perceber que hoje somos um reflexo do nosso passado.

Esse passado também pode ser encontrado muito antes da presença humana. O município guarda um dos mais importantes registros paleontológicos do planeta, com fósseis vegetais e animais que ajudam a reconstituir a vida de milhões de anos atrás. Troncos fossilizados, formações rochosas e espécies do período Triássico transformam São Pedro em um museu natural. 

– Esses fósseis são testemunhos da história da Terra. Eles nos permitem reconstruir cenários de milhões de anos atrás – destaca a diretora. 

São Pedro, que tem entre seus filhos ilustres Fernando Ferrari, conhecido como político “de mãos limpas”, está pronto para virar um novo século de história, apostando na força da coletividade e, claro, sempre sob as bênçãos do seu padroeiro: São Pedro.

Programação dos 100 anos

As comemorações pelo centenário de São Pedro do Sul irão se estender por todo o 2026. A programação oficial dos 100 anos de emancipação do município reúne eventos culturais, esportivos, tradicionais e festivos que se estendem até novembro de 2026. 

Embora o aniversário seja celebrado neste domingo, a proposta da organização foi ampliar as atividades ao longo do ano, envolvendo diferentes setores da comunidade e valorizando a história e a identidade local.

Antes mesmo da divulgação oficial, as comemorações já começaram com o Carnaval de Rua “Memórias em Folia”, que abriu simbolicamente o calendário festivo, reunindo moradores e visitantes.

De acordo com o secretário de Cultura, Turismo, Esportes e Desenvolvimento Econômico, Luiz Felipe Flôres Bassaco, a ideia foi construir uma agenda plural.

– Um momento tão marcante e histórico como o centenário de São Pedro do Sul merece ser lembrado e celebrado durante todo o ano. Por isso estruturamos uma programação diversa, que contempla diferentes públicos e expressões da nossa comunidade – afirma.

Diretora de Cultura, Turismo e Eventos, Mariana Binatto de Souza, acrescenta que os eventos também buscam fortalecer o vínculo da população com a cidade:

Mais do que comemorar, a programação foi pensada para homenagear nossa história, proporcionar momentos de convivência e despertar ainda mais o sentimento de pertencimento da população – ressalta. ​

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